Quando o brinquedo é a panela

Publicação: www.folhape.com.br

Volta e meia tratada como um campo minado para as crianças, a cozinha vai além do estigma – pode ser um celeiro dinâmico para a construção de afetos e conhecimento

 

Cozinha interdisciplinar

Se por um motivo ou outro não se pratica em casa como, a propósito, deveria, a escola pode se encarregar dessa função. É o que faz o Lubienska Centro Educacional, no bairro da Torre, Zona Norte do Recife, incluindo na grade curricular dos pequeninos de 2 a 6 anos práticas culinárias. “A cozinha é competente em transversalizar, em termos de conteúdos didáticos e pedagógicos, muitas das disciplinas em uma atividade que aparentemente é boba. A partir dela, podemos ensinar matemática, português, ciências, história e geografia, sem o peso das aulas tradicionais”, defende a coordenadora pedagógica do Ensino Infantil da instituição, Ana Paula Figueiredo.

Segundo a docente, a própria receita carrega esse viés. “Trazemos ali interpretação de texto, desenvolvimento da linguagem, noções de medidas, história dos alimentos, a sazonalidade deles. Até para se fazer um simples bolo existe uma antecipação teórica”, explica. Para Ana Paula, as experiências de criação na cozinha ainda irão despertar o desenvolvimento cognitivo da criança, uma vez que é nesse momento em que ela vai assimilar texturas, sabores, assinar parte de seu repertório gustativo e desenvolvê-lo de forma natural.

Entre as receitas que a escola desenvolve com os alunos, pães, massa de pizza, salgadinhos, biscoitinho “1,2,3”, bolos, cuscuz e sopa. “Em linhas gerais, procuramos pratos que envolvam texturas e trabalho manual para que as crianças possam manusear e porcionar. Ou pratos cujo foco seja a transformação. O fato de vários ingredientes se tornarem uma coisa só é uma situação de encanto para eles”, conta. O resultado é que as crianças se conscientizam sobre a história e a importância dos valores nutricionais do que estão comendo, criando desde cedo um leque de possibilidades comestíveis dos alimentos que estão a sua volta. “Muitas vezes elas não comem determinado alimento em casa porque os pais nunca ofereceram. Com esse projeto, ocorre o inverso. As crianças passam a doutrinar os pais à mesa”, pontua a coordenadora.

 

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